História do ACAR

        Datam de 1913 os primeiros pareceres oficiais para a instalação da Escola de Aeronáutica Militar em Alverca. Preterida esta povoação na escolha em função de Vila Nova da Rainha, não deixou, no entanto, de ser lugar previsto para a utilização como campo de aterragem e instalação de depósitos de reabastecimento e reserva.
          Em 1918, foi criado o Parque de Material Aeronáutico de Alverca, sob o comando do capitão engenheiro aeronáutico Pedro Fava Ribeiro de Almeida. Quase de imediato se inicia a construção das instalações, inauguradas a 26 de Outubro de 1918, numa área de 5500 m2. A "Quinta do Major" como era chamado o PMA pelos habitantes de Alverca, cresce rapidamente e em 1922 é concluída a fabricação dos primeiros 50 Caudron G3 "Andorinha", construídos sob licença da fábrica francesa.
            Em 1928, o PMA passa a denominar-se OGMA ( Oficinas Gerais de Material Aeronáutico), logotipo que ainda hoje permanece, não deixando esta de continuar a expandir-se até hoje nas suas actividades, contribuindo como polo empregador e de fixação populacional em Alverca.
            Como unidade militar foi base dos Aerosteiros Militares (balões), do GIAB , Grupo Independente de Aviação de Bombardeamento que teve igualmente uma participação ilustre nas grandes viagens aéreas portuguesas, com o cruzeiro a Marrocos em Maio de 1934, levado a cabo por iniciativa própria, com cinco aviões Potez XXV, construídos nas OGMA.
             No ano de 1937 foi radicado em Alverca o Centro de Aviação civil da MP, que viria a ter uma notável acção da expansão da aeronáutica, deixando marcas profundas em todos aqueles que por lá deram os seus primeiros passos na aviação, aos quais a maioria dos sócios fundadores do ACAR  pertenceram, querendo por isso também deixar um legado às gerações vindoiras da grande arte de voar.
            Em 1969, foi criado o Museu do Ar, o qual até hoje tem preservado e dado a conhecer o rico historial da aviação portuguesa, sendo uma estrutura cultural de grande vulto e dinamismo da cidade.

            O Aero Clube de Alverca do Ribatejo é resultado lógico de todo o historial descrito, que estando latente no espírito de todos os que viveram ou acompanharam de perto o evoluir da aviação na cidade de Alverca, sempre acalentaram a ideia de dar continuidade às tradições aeronáuticas na sua vertente civil, proporcionando aos jovens a possibilidade de concretização do sonho de voar. Fundada em 1996 por um grupo de entusiastas das causas do ar, envolvendo pilotos, médicos, engenheiros, professores e especialistas nas mais diversas áreas da aviação, que em colaboração estreita consolidaram o processo de implementação através dos seguintes passos:

- Protocolo com a Força Aérea Portuguesa, na cedência de espaço físico para a persecução das suas actividades.
- Protocolo com as OGMA Indústria Aeronáutica de Portugal, SA. para o apoio técnico, tendo esta cedido o edifício onde funciona a sede social do ACAR.
- Protocolo com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alverca, para a prontidão de assistência em caso de necessidade.

Estando reunidas as condições mínimas para o seu funcionamento e em conformidade com o definido estatutariamente, coube à Direcção criar a dinâmica capaz de dar vida aos objectivos, a que o Aero Clube de Alverca do Ribatejo (ACAR) prometeu dedicar o seu esforço e empenho.

Foi no dia 30 de Julho de 2001, pelas 11 h e 30 m, o voo inaugural do Aero Clube de Alverca do Ribatejo - ACAR, no aeródromo de Alverca, 27 anos depois do encerramento das actividades civis neste.

" Torre de Alverca bom dia, o CS - DDC à vertical de Vila Franca de Xira mantendo 1000 ft, pretende instruções de aproximação para aterrar no aeródromo de Alverca".

Foi com esta frase, iniciada a operação aérea do Aero Clube de Alverca do Ribatejo no aeródromo de Alverca.
À recepção da aeronave bilugar modelo Piper PA 38, cedida gentilmente por um associado desta instituição, estiveram presentes alem de diversos directores do clube, o o Sr. Tenente Coronel Fernandes Vicente em representação do Sr. Comandante do DGMFA Coronel Jorge Oliveira, e o Sr. Coronel Albano Fernandes Director do Museu do Ar.
Coube ao seu Presidente Cte. L. Valada o voo inaugural, que curiosamente viu nascer neste mesmo local o sonho de um dia ser piloto, pela mão do agora General Fernando Vasquez.

 

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